Por CarlaNaGringa | Publicado em setembro de 2025
A França vive um momento de ajustes orçamentários significativos no campo da formação profissional e do aprendizado (apprentissage). O governo Bayrou, pressionado por Bercy (Ministério da Economia e Finanças), estuda cortes de mais de 1 bilhão de euros no orçamento de 2026 destinados ao aprendizado, dentro de um pacote mais amplo de economia.
No entanto, mesmo diante dessa perspectiva de redução de incentivos, os números divulgados pelo Ministério do Trabalho trazem uma notícia positiva: as contratações de alternantes permaneceram estáveis no primeiro semestre de 2025, mostrando que as empresas francesas continuam confiantes no modelo.
Estabilidade nas contratações: quase 95 mil novos contratos
Segundo dados oficiais, foram assinados 95.000 novos contratos de aprendizagem nos seis primeiros meses de 2025 — apenas 1.300 a menos do que no mesmo período do ano passado.
Esse resultado surpreendeu especialistas, já que em fevereiro houve uma redução da prime à l’embauche d’un apprenti (bônus pago às empresas que contratam aprendizes). Desde então, o valor passou a ser de 5.000 euros para empresas com menos de 250 funcionários e 2.000 euros para as maiores, independentemente do nível do diploma.
A queda no montante da ajuda poderia ter freado as contratações, mas, na prática, o impacto foi mínimo.
A visão do governo: um modelo sólido
A ministra do Trabalho, Saúde e Solidariedades, Catherine Vautrin, comemorou os resultados, afirmando em entrevista à France Info:
“Os números confirmam que o aprendizado se tornou uma via de inserção profissional sólida, que resiste até mesmo em períodos de restrição orçamentária. As empresas francesas compreenderam o valor estratégico de formar jovens talentos.”
Dinamismo no setor: secundário em alta, superior em leve queda
Os dados revelam ainda que:
- No ensino secundário, as contratações de aprendizes aumentaram.
- No ensino superior, houve uma leve queda, refletindo o impacto da redução da ajuda em contratos de níveis mais avançados, como mestrados e pós-graduações (Bac+5).
Ainda assim, o cenário geral é de resiliência, já que as empresas continuam engajadas no recrutamento por alternância, especialmente em setores estratégicos como tecnologia, saúde e indústria verde.
Um sistema essencial para a inserção profissional
Criado para aproximar jovens e empresas, o modelo de alternância combina estudo acadêmico com trabalho remunerado. Desde a reforma de 2018, ele se consolidou como um dos principais canais de inserção profissional na França.
Segundo relatório da APEC (Association pour l’emploi des cadres), 70% dos jovens que concluem o ensino superior em alternância conseguem um CDI logo após o diploma, contra apenas 47% dos estudantes em tempo integral.
Isso explica por que, mesmo em tempos de ajuste, o aprendizado segue sendo visto como um investimento de longo prazo para empresas e para o país.
O que esperar para 2026?
Os cortes previstos para o orçamento de 2026 incluem:
- Redução da subvenção ao aprendizado em mais de 1 bilhão de euros
- Mudanças na forma de cálculo da prime à l’embauche, possivelmente passando a considerar o número exato de dias de contrato
- Diminuição dos créditos destinados às regiões para o funcionamento dos CFA (Centres de Formation des Apprentis)
Apesar disso, especialistas apontam que a força do modelo já consolidado deve continuar sustentando bons níveis de contratação.
O presidente da Confederação das PME (CPME), François Asselin, declarou ao jornal Les Echos:
“Mesmo com menos incentivos, os empregadores perceberam que o aprendizado é vantajoso. Hoje, a alternância é parte integrante da estratégia de recrutamento das empresas francesas.”
Conclusão: confiança no aprendizado, mesmo em tempos de ajustes
O cenário para o aprendizado na França em 2025 mostra que, apesar das incertezas orçamentárias, o modelo segue firme e estável. Para estudantes — inclusive estrangeiros — que desejam ingressar em programas de alternância, a mensagem é clara: as empresas continuam contratando e valorizando a formação prática.
Assim, para quem sonha em fazer um mestrado em alternância na França, a recomendação é continuar se preparando, fortalecer o CV em francês e buscar setores que seguem aquecidos.
A boa notícia é que a alternância segue sendo uma porta de entrada privilegiada para o mercado francês — e, até agora, os números mostram que essa porta continua aberta.
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