Por CarlaNaGringa | Publicado em novembro de 2025
Aqueles que planejam cursar um mestrado na França em alternância receberam uma boa notícia nesta semana. A Assembleia Nacional francesa rejeitou a proposta que pretendia acabar com a isenção de contribuições sociais salariais para novos alternantes a partir de janeiro de 2026.
A informação foi divulgada pelo site L’Étudiant, que acompanhou a votação no dia 7 de novembro. Com a decisão, o salário líquido dos alternantes permanece protegido, evitando perdas que poderiam chegar a €102 a €187 por mês, segundo estimativas citadas no debate parlamentar.
Uma medida que poderia reduzir salários; e que foi barrada
O ponto polêmico fazia parte do Projeto de Lei de Financiamento da Seguridade Social (PLFSS 2026). Nele, o governo propunha que alternantes passassem a pagar contribuições sociais da mesma forma que qualquer outro trabalhador, reduzindo o salário líquido pago aos jovens contratados a partir de 2026.
Ao rejeitar o artigo, os deputados bloquearam a mudança e mantiveram o atual sistema de isenção para a parte mais baixa da remuneração.
Durante as discussões, o deputado ecologista Hendrik Davi criticou duramente a proposta, afirmando que seria “absolutamente indecente taxar esses rendimentos”.
Já a deputada socialista Céline Thiébault-Martinez alertou para o impacto direto no orçamento dos estudantes, destacando que a mudança “poderia retirar cerca de 100 euros por mês de jovens”.
Segundo L’Étudiant, o recuo parlamentar “evita uma queda imediata no poder de compra dos alternantes”, que dependem desse salário para financiar moradia, transporte e alimentação durante o mestrado.
Contexto: mudanças recentes já haviam reduzido parte da isenção
A discussão sobre o tema ocorre em um contexto mais amplo de ajustes no financiamento da alternância na França.
Em 1º de março de 2025, uma primeira modificação já havia sido implementada: apenas a parte do salário até 50% do SMIC continuou isenta de contribuições salariais. A parcela acima desse limite passou a ser taxada normalmente e sujeita a CSG/CRDS.
O boletim oficial da Seguridade Social (BOSS) confirmou a regra em julho, reforçando que “contratos assinados antes de 1º de março continuam sob o regime anterior, mais vantajoso”.
Mesmo assim, a supressão total da isenção, que agora foi descartada, teria representado uma mudança ainda maior.
Reações e impacto para quem deseja fazer mestrado na França
A decisão agradou tanto a estudantes quanto a empregadores. O modelo de alternância é amplamente utilizado para financiar estudos superiores, especialmente no nível master, onde muitos estrangeiros buscam combinar formação acadêmica com experiência profissional francesa.
O site TF1 Info, que também acompanhou o processo, resumiu a preocupação do setor: “a medida poderia ter consequências imediatas no poder de compra dos alternantes e na atratividade das empresas para novos contratos”.
Ao manter a isenção, o Parlamento francês envia um sinal de estabilidade a estudantes internacionais, incluindo os brasileiros, que dependem da remuneração da alternância para viabilizar a estadia no país.
Um alívio para futuros alternantes, inclusive brasileiros
Para quem está planejando aplicar para um master na França com alternância em 2026, a notícia é particularmente importante:
- O salário líquido continua protegido, o que facilita o planejamento financeiro.
- Empresas mantêm o incentivo para contratar alternantes, já que os encargos permanecem mais leves.
- O sistema de alternância permanece competitivo, tornando essa via uma das mais acessíveis para estudantes internacionais.
Como observa L’Étudiant, a rejeição da proposta “evita penalizar jovens em formação profissional e preserva um dos pilares do modelo de alternância”.
Para brasileiros que consideram este caminho, trata-se de um sinal positivo: a França mantém, por enquanto, um ambiente favorável para integrar estudo e trabalho durante o master.

