29/05/2026 por Carla

RECE na França: salário mínimo e visto de trabalho após o master

RECE na França: salário mínimo e visto de trabalho após o master
29/05/2026 por Carla

Para muitos brasileiros, o objetivo de fazer um master na França vai além do diploma. A ideia é conseguir experiência profissional no país e, em muitos casos, permanecer legalmente após os estudos. É exatamente aí que entra uma das etapas mais importantes do processo migratório francês: a transição do RECE para um titre de séjour de trabalho.

O que muita gente descobre tarde demais é que essa transição tem uma exigência salarial mínima e que o valor depende diretamente do tipo de autorização solicitada.

O que é o RECE e quanto tempo ele dura

O RECE (Recherche d’Emploi / Création d’Entreprise) é o título de residência concedido automaticamente a estudantes estrangeiros que concluíram um master na França. Ele substitui a antiga APS e dá ao diplomado 12 meses para encontrar emprego ou criar uma empresa no país, sem precisar sair da França para fazer a transição.

Durante esse período, o estudante pode trabalhar com as mesmas restrições do visto de estudante, até 964 horas por ano, enquanto busca um contrato definitivo.

Carte salarié: o caminho mais comum após o RECE

A opção mais utilizada por recém-formados internacionais é a carte de séjour salarié. Para obtê-la a partir do RECE, o emprego precisa ter relação com a formação realizada. A legislação francesa exige um contrato “en lien avec la formation suivie”, ou seja, coerente com o diploma obtido.

Além disso, há um piso salarial. Em 2026, o salário mínimo exigido é de €2.707 brutos por mês, equivalente a 1,5 vez o SMIC. Na prática, com a diferença média de 23% entre bruto e líquido no setor privado francês em 2026, isso representa aproximadamente €2.085 líquidos por mês caindo na conta, valor que pode variar alguns euros dependendo do setor e do status (cadre ou não-cadre).

Um exemplo de transição geralmente aceita pelas préfectures: master em Marketing seguido de vaga em comunicação digital. Um exemplo que pode gerar questionamentos: master em Engenharia seguido de função administrativa sem relação técnica com o diploma. A coerência do percurso acadêmico-profissional continua sendo analisada mesmo quando o salário atende ao mínimo exigido.

Passeport Talent: a opção mais estável e mais exigente

Outra possibilidade é o Passeport Talent (Salarié Qualifié), voltado para profissionais considerados mais qualificados. As vantagens são concretas: título com duração de quatro anos renováveis, menos burocracia, facilidades para reunião familiar e, em muitos casos, dispensa da chamada opposabilité de l’emploi, o que simplifica bastante o processo para o empregador.

O requisito salarial, porém, é mais elevado. Com base no arrêté de 21 de agosto de 2025, o piso fixado é de €39.582 brutos anuais, cerca de €3.298 brutos por mês, para todas as novas demandas e renovações depositadas a partir de 31 de agosto de 2025. Esse valor se aplica a titulares de master obtido na França que buscam o Passeport Talent na categoria salarié qualifié e é calculado sobre o salário base contratual, sem contar primas variáveis ou benefícios em espécie.

Com a diferença média de 25% entre bruto e líquido para cadres no setor privado francês em 2026, os €3.298 brutos mensais equivalem a aproximadamente €2.474 líquidos por mês. Para não-cadres, o valor fica em torno de €2.540 líquidos mensais.

Um detalhe prático: empresas que contratam perfis internacionais já estão ajustando fichas de posto para atingir esse piso com elementos fixos, em vez de depender de componentes variáveis que a préfecture não computa. Vale discutir esse ponto com o empregador antes de assinar qualquer contrato.

Salário bruto, não líquido

Esse é o ponto que mais gera confusão entre brasileiros. Na França, toda a análise migratória é feita com base no salário bruto anual, não no valor que cai na conta bancária todo mês. Quando a legislação menciona €2.707 ou €39.582, trata-se sempre do valor antes das cotizações sociais. O líquido recebido é significativamente menor, como os cálculos acima mostram.

O que fazer se o salário ficar abaixo do mínimo

Se a oferta recebida não atinge o piso exigido, a transição simplificada pós-RECE deixa de ser automática. Dependendo do perfil, ainda existem alternativas: solicitar outro tipo de status, usar contratos temporários específicos ou aguardar evolução salarial antes da mudança definitiva. O caminho mais adequado depende da situação específica de cada pessoa e, nesse caso, consultar um especialista em imigração francesa vale o investimento.

Áreas onde os pisos são mais facilmente atingidos

Os valores exigidos parecem altos para muitos brasileiros, mas não são impossíveis, especialmente em setores com alta demanda no mercado francês. Tecnologia, engenharia, análise de dados, finanças, consultoria, marketing digital, setor aeronáutico e inteligência artificial são as áreas onde empresas acostumadas a contratar perfis internacionais já conhecem os requisitos e estruturam os contratos de acordo.

Em cidades como Paris, Lyon e Toulouse, o mercado para recém-formados internacionais com experiência em alternância é particularmente ativo. Quem termina o master com dois anos de contrato em uma empresa francesa está em posição muito melhor do que quem chegou ao final do curso sem essa experiência.

Se você quer entender como construir esse caminho desde o início, da candidatura ao master até a permanência na França, me siga no Instagram, no TikTok e no YouTube. Toda semana eu posto conteúdo prático sobre como fazer mestrado na França e construir carreira na Europa.

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