Entre 3 e 16 de junho de 2026, os candidatos inscritos na plataforma Mon Master começam a receber as respostas das universidades francesas para a fase principal de admissão. Para quem se candidatou a um master em alternância, os resultados chegaram antes: no dia 30 de abril.
É o momento mais aguardado e mais tenso do calendário acadêmico francês. E os números que chegam a essa etapa explicam por quê.
250 mil candidatos. 175 mil vagas.
Em 2025, 250.400 candidatos confirmaram pelo menos uma candidatura na plataforma Mon Master, uma alta de 10% em relação ao ano anterior. Do outro lado, o número de vagas disponíveis cresceu apenas 0,6%, chegando a 175.502 lugares.
A conta é direta: há significativamente mais gente querendo um master do que o sistema tem capacidade de absorver. O resultado foi que 32% dos candidatos em 2025 não receberam nenhuma proposta de admissão, ou seja: quase um em cada três estudantes.
E isso são apenas os que chegaram a se candidatar.
O funil começa antes
Para entender a dimensão real do gargalo, é preciso recuar um passo. A França forma em torno de 400.000 a 500.000 estudantes por ano no nível de graduação, entre licences, licences professionnelles, BUTs e diplomas de escolas de comércio e engenharia. Desses, apenas 40% concluem a licence em três ou quatro anos, uma taxa de conclusão relativamente baixa que reflete o alto nível de abandono e reorientação ao longo do percurso.
Mesmo considerando apenas os formandos que chegam ao final da graduação, o volume supera em muito as vagas de master disponíveis. Parte resolve isso indo para escolas privadas fora do Mon Master enquanto uma parte desiste e outra tenta no ano seguinte. Há também quem vá embora sem proposta.
Mais de seis em cada dez formandos de licence générale tentam o master no ano seguinte à graduação, o que indica que a plataforma recebe uma pressão contínua e crescente de novos candidatos a cada ciclo.
O que os dados dizem sobre a alternância
Dentro desse cenário de competição, a alternância ocupa um lugar específico. Em 2024, 8,9% dos candidatos que aceitaram uma proposta de admissão foram para um master em alternância, contra 7% no ano anterior. A demanda cresce, mas a oferta de vagas em alternância ainda é menor que a demanda: as formações em alternância representam 13,5% dos mais de 8.000 percursos disponíveis na plataforma.
Dito de outro modo: quem entra num master em alternância está numa parcela minoritária e disputada do sistema, com a vantagem de sair com diploma, experiência profissional e, em muitos casos, um contrato de trabalho já assinado.
O que isso muda para um candidato brasileiro
A competição no Mon Master é real. Mas ela acontece principalmente entre candidatos franceses, a maioria sem orientação estratégica sobre como montar um dossiê. Um brasileiro que chega com projeto profissional claro, motivação coerente com a área escolhida e um dossiê bem construído está, em muitos casos, em vantagem sobre candidatos locais que simplesmente encaminham histórico de notas sem narrativa.
O gargalo é saber comunicar por que você quer aquela formação específica e o que você vai fazer com ela.
Para os candidatos da campanha 2026, os resultados da fase principal chegam entre 3 e 16 de junho. Para quem está em alternância, a fase de admissão real é no dia 12 de junho. Para quem ainda está planejando a candidatura para 2027, o período de candidatura abre em outubro via Campus France e em fevereiro de 2027 no MonMaster. A sua preparação começa agora.
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