Em 2025, o master em Droit des affaires registrou mais de 100.000 candidaturas na plataforma Mon Master. O volume coloca a formação entre os dez masters mais disputados do país, com cerca de três candidatos por vaga disponível. Para brasileiros com graduação em Direito, o dado é um indicador de mercado: onde há disputa, há demanda das empresas. E onde há demanda, há alternância.
O que é o Droit des affaires na prática
O Droit des affaires é o equivalente francês do Direito Empresarial, mas com escopo mais amplo. A formação cobre direito societário, contratos comerciais, fusões e aquisições, fiscalidade das empresas, compliance e arbitragem internacional. Os recrutadores buscam especialmente perfis especializados em direito das sociedades, M&A, direito fiscal ou arbitragem comercial.
As saídas são duas: o escritório de advocacia de negócios (cabinet d’avocats d’affaires) e a direção jurídica de empresas (juriste d’entreprise). Ambos recrutam ativamente em alternância.
“Finalizar cinco anos de teoria com uma imersão profissionalizante”
Quentin Fournier, formado pelo Master 2 Droit des affaires da Universidade de Nantes na turma 2017-2018, resume o que a alternância representa nessa área. Segundo ele, a possibilidade de seguir a formação em alternância “é um trunfo considerável, nos dá a oportunidade de finalizar cinco anos de ensino essencialmente teórico com uma imersão profissionalizante de um ano.” No caso dele, a alternância o levou diretamente ao serviço jurídico da companhia aérea HOP!
O relato não é exceção. Na Universidade de Rennes, os alternantes do M2 em Direito dos Negócios e Fiscalidade participam de missões reais de due diligence, análise fiscal e estruturação jurídica de operações de fusões e aquisições, não simulações acadêmicas, mas dossiers de clientes reais.
A virada de 2026: alternância chega aos programas mais seletivos
Por anos, a alternância em Direito foi associada a escolas privadas e formações mais acessíveis. Esse cenário mudou. Desde 2026, programas antes oferecidos apenas em formação inicial abriram vagas em alternância, incluindo cursos entre os mais bem classificados, como os de Paris 1 e Assas.
Na Paris Nanterre, o parcours APDA (Analyse et Pratique du Droit des Affaires) foi estruturado especificamente para a alternância, com o M2 inteiro em contrato de aprendizagem, dois dias por semana na universidade e três dias na empresa, de setembro a junho.
O que muda para estudantes brasileiros
Uma dúvida frequente entre estudantes internacionais é se é possível assinar um contrato de alternância logo no primeiro ano na França. A resposta, para quem está se candidatando a um master, é sim.
Desde março de 2021, o Decreto n° 2021-360 estabelece que estudantes estrangeiros podem assinar contrato de aprendizagem já no primeiro ano de presença no país, desde que o curso seja de nível master ou diploma de Grande École. A regra anterior, que exigia um ano completo de formação prévia na França, não se aplica a esse nível de formação.
Isso significa que um brasileiro que entra no M1 de Droit des affaires em setembro já pode assinar o contrato de alternância nesse mesmo ano.
Onde estudar
O Master 2 de Droit des affaires de Paris 1 Panthéon-Sorbonne é um dos mais procurados, especialmente por candidatos externos à universidade. Lyon 3 Jean Moulin e Sciences Po Paris oferecem programas comparáveis em termos de seletividade e reconhecimento pelos empregadores. Em Toulouse, a Université Toulouse Capitole oferece o parcours Juriste d’entreprise com saída para direito societário, fiscal, propriedade intelectual e escritórios de advocacia de negócios.
Para quem tem interesse em direito internacional, relevante para brasileiros que querem atuar em empresas com operações na América Latina, a Paris Dauphine-PSL e a Université de Rennes têm programas com forte componente em inglês voltados para juristas internacionais.
O dossiê que convence
Diferente do Brasil, onde publicações acadêmicas e histórico de notas pesam bastante, o processo seletivo francês avalia principalmente a coerência da trajetória e a clareza do projeto profissional. Um brasileiro com graduação em Direito, experiência em contratos ou consultoria e interesse documentado em direito europeu dos negócios tem um dossiê competitivo, independentemente de ter se formado em universidade pública ou privada.
A barreira real não é necessariamente o diploma brasileiro, mas saber montar um dossiê que comunique todas as competências com clareza.
